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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Amazônia tem “oceano subterrâneo”

Elton Alisson

O Acre inteiro tem um mar de água doce por baixo (conforme mapa publicado pela Fapesp)
A Amazônia possui uma reserva de água subterrânea com volume estimado em mais de 160 trilhões de metros cúbicos, estimou Francisco de Assis Matos de Abreu, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que terminou no dia 27 de julho de 2014, no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco.

O volume é 3,5 vezes maior do que o do Aquífero Guarani – depósito de água doce subterrânea que abrange os territórios do Uruguai, da Argentina, do Paraguai e principalmente do Brasil, com 1,2 milhão de quilômetros quadrados (km2) de extensão.

“A reserva subterrânea representa mais de 80% do total da água da Amazônia. A água dos rios amazônicos, por exemplo, representa somente 8% do sistema hidrológico do bioma e as águas atmosféricas têm, mais ou menos, esse mesmo percentual de participação”, disse Abreu durante o evento.

O conhecimento sobre esse “oceano subterrâneo”, contudo, ainda é muito escasso e precisa ser aprimorado tanto para avaliar a possibilidade de uso para abastecimento humano como para preservá-lo em razão de sua importância para o equilíbrio do ciclo hidrográfico regional.

De acordo com Abreu, as pesquisas sobre o Aquífero Amazônia foram iniciadas há apenas 10 anos, quando ele e outros pesquisadores da UFPA e da Universidade Federal do Ceará (UFC) realizaram um estudo sobre o Aquífero Alter do Chão, no distrito de Santarém (PA).

O estudo indicou que o aquífero, situado em meio ao cenário de uma das mais belas praias fluviais do país, teria um depósito de água doce subterrânea com volume estimado em 86,4 trilhões de metros cúbicos.

“Ficamos muito assustados com os resultados do estudo e resolvemos aprofundá-lo. Para a nossa surpresa, descobrimos que o Aquífero Alter do Chão integra um sistema hidrogeológico que abrange as bacias sedimentares do Acre, Solimões, Amazonas e Marajó. De forma conjunta, essas quatro bacias possuem, aproximadamente, uma superfície de 1,3 milhão de quilômetros quadrados”, disse Abreu.

Denominado pelo pesquisador e colaboradores Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), o sistema hidrogeológico começou a ser formado a partir do período Cretáceo, há cerca de 135 milhões de anos.

Em razão de processos geológicos ocorridos nesse período foi depositada, nas quatro bacias sedimentares, uma extensa cobertura sedimentar, com espessuras da ordem de milhares de metros, explicou Abreu.

“O Saga é um sistema hidrogeológico transfronteiriço, uma vez que abrange outros países da América do Sul. Mas o Brasil detém 67% do sistema”, disse.

Uma das limitações à utilização da água disponível no reservatório, contudo, é a precariedade do conhecimento sobre a sua qualidade, apontou o pesquisador. “Queremos obter informações sobre a qualidade da água encontrada no reservatório para identificar se é apropriada para o consumo.”

“Estimamos que o volume de água do Saga a ser usado em médio prazo para abastecimento humano, industrial ou para irrigação agrícola será muito pequeno em razão do tamanho da reserva e da profundidade dos poços construídos hoje na região, que não passam de 500 metros e têm vazão elevada, de 100 a 500 metros cúbicos por hora”, disse.

Como esse reservatório subterrâneo representa 80% da água do ciclo hidrológico da Amazônia, é preciso olhá-lo como uma reserva estratégica para o país, segundo Abreu.

“A Amazônia transfere, na interação entre a floresta e os recursos hídricos, associada ao movimento de rotação da Terra, cerca de 8 trilhões de metros cúbicos de água anualmente para outras regiões do Brasil. Essa água, que não é utilizada pela população que vive aqui na região, representa um serviço ambiental colossal prestado pelo bioma ao país, uma vez que sustenta o agronegócio brasileiro e o regime de chuvas responsável pelo enchimento dos reservatórios produtores de hidroeletricidade nas regiões Sul e Sudeste do país”, avaliou.

Vulnerabilidades - De acordo com Ingo Daniel Wahnfried, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), um dos principais obstáculos para estudar o Aquífero Amazônia é a complexidade do sistema.

Como o reservatório é composto por grandes rios, com camadas sedimentares de diferentes profundidades, é difícil definir, por exemplo, dados de fluxo da água subterrânea para todo sistema hidrogeológico amazônico.

“Há alguns estudos em andamento, mas é preciso muito mais. É necessário avaliarmos, por exemplo, qual a vulnerabilidade do Aquífero Amazônia à contaminação”, disse Wahnfried, que realizou doutorado direto com Bolsa da FAPESP.

Diferentemente do Aquífero Guarani, acessível apenas por suas bordas – uma vez que há uma camada de basalto com dois quilômetros de extensão sobre o reservatório de água –, as áreas do Aquífero Amazônia são permanentemente livres.

Em áreas de floresta, essa exposição do aquífero não representa um risco. Já em áreas urbanas, como nas capitais dos estados amazônicos, isso pode representar um problema sério. “Ainda não sabemos o nível de vulnerabilidade do sistema aquífero da Amazônia em cidades como Manaus”, disse Wahnfried.

Segundo o pesquisador, tal como a água superficial (dos rios), a água subterrânea é amplamente distribuída e disponível na Amazônia. No Amazonas, 71% dos 62 municípios utilizam água subterrânea (mas não do aquífero) como a principal fonte de abastecimento público, apesar de o estado ser banhado pelos rios Negro, Solimões e Amazonas.

Já dos 22 municípios do Estado do Acre, quatro são totalmente abastecidos com água subterrânea. “Apesar de esses municípios estarem no meio da Amazônia, eles não usam as águas dos rios da região em seus sistemas públicos de abastecimento”, avaliou Wahnfried.

Algumas das razões para o uso expressivo de água subterrânea na Amazônia são o acesso fácil e a boa qualidade desse tipo de água, que apresenta menor risco de contaminação do que a água superficial.

Além disso, o nível de água dos rios na Amazônia varia muito durante o ano. Há cidades na região que, em períodos de chuva, ficam a poucos metros de um rio. Já em períodos de estiagem, o nível do rio baixa 15 metros e a distância dele para a cidade passa a ser de 200 metros, exemplificou.
*Graduado em jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), com extensão em jornalismo impresso pela Universidade de Navarra, da Espanha, e em jornalismo econômico pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) – Agência FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

domingo, 10 de agosto de 2014

Misturado e perigoso

*Elson Martins

A eleição para governador do Acre de 2014 é a terceira em que sou levado a votar com sobrosso, pensando no risco de entregar nossa terra a um grupo de pessoas estranhas à sua história, cultura e tradições. Portanto,  pessoas sem identidade com os nossos sentimentos e modos de vida, que tentam nos impingir a barbárie que trouxeram de outras regiões. Em 2002, 2006 e 2010, escrevi meus temores de que, entre “Nós”, acreanos nascidos ou de coração, e “Eles”, representados por agressores que nos anos 1970/1980 agiam como se fossem “os novos donos do Acre”, tivéssemos que abrir mão de nossas conquistas como povos da floresta para cair na ambição capitalista que os movem.

O quadro que vejo na politica atual é difuso, uma mistura de siglas e discursos que dificulta a opção pelo voto consciente, sobretudo, entre os eleitores mais jovens, que não possuem a memória do que aconteceu por aqui há três décadas. Sei que o que aconteceu é recente, à luz da história, mas a novidade da informação eletrônica, a ascensão do capitalismo no mundo e os erros políticos de quem não consegue valorizar o protagonismo de quem faz a nossa resistência, acabam abrindo uma fresta perigosa aos inimigos da acreanidade.

Um observador atento poderá enxergar, mesmo no amontoado de asneiras que é  lançado diariamente nas redes sociais, pela internet, a força politica que permanece viva entre as nossas raízes. Uma simples fotografia da Gameleira num fim de tarde desperta, como se viu esta semana na Fanpage do senador Jorge Viana, uma unanimidade amorosa, um sentimento verdadeiro de quem se enleva com uma natureza exuberante, de cujo mistério, certamente, vamos poder construir o mundo novo e bom que tanto queremos para todos. O mesmo sentimento estava presente, há duas ou três semanas, nos espaços da universidade Federal do Acre, apinhados de jovens curiosos e esperançosos, durante a 66a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Nos amplos e promissores espaços fervilhavam gerações num diálogo entre saberes, entre tradição e modernidade...

 Seringueiros preparados para um "empate" na Fazenda Bordon, em 1987. (foto: Elson Martins)

Era como se a universidade estivesse acordando de um sono profundo, abrindo os olhos para enxergar o conhecimento dos extrativistas e dos indígenas, dos povos da floresta, o amor e a irreverencia dos jovens, a mente aberta dos cientistas apontando para o admirável mundo novo de uma comunidade fraterna possível.  Esse mundo está tão perto: está na periferia de nossa morna cidade, nas beiras de rios que desbarrancam preguiçosamente; nas periferias pobres, mas solidárias de nossas cidades e vilas; no conhecimento ancestral que decifra venenos e curas; nos gestos suaves e sábios de quem há séculos dorme com a natureza e sonha, sem maldade, para acordar com o rosto limpo e belo da simplicidade.

Ah! Doutores!  Políticos! Gestores da vida pública! Ah! Candidatos que exploram as dores do povo! Não se deixem enganar pelas aparências. Aquele senhor que vende pipoca e bombons numa birosca na esquina sabe mais que vocês, sobre como entrar e sair da floresta densa e não se perder nela; conhece remédios e fibras; sabe os nomes de quem vive muito longe; não se ofende com a solidão; tem tantas ideias simples de como viver em paz.. Sem ambição! A natureza está em nós, acreanos, e atrai, às vezes, com o hálito quente da jibóia que precisa se alimentar. Mas isso não é dominação. Não é arrogância. Não é desejo mesquinho de se apropriar de corações e mentes.

A história do Acre é uma história de bravos que orgulha aos filhos e os empurra para a resistência contra os invasores que ofendem. Essa é a politica que está em jogo nas eleições de 2014. Durante cem anos vivemos como povos invisíveis, alimentados por duas espécies da floresta – a seringueira e a castanheira. Hoje, sabemos que podemos viver outros tempos mais longos, com novas espécies, descobertas ou a serem descobertas, porque a riqueza do estado é a floresta e os que a reconhecem como tal.  Não precisamos de agouros de quem quer colocar outra forma de vida no seu lugar.

Se isso é um recado? Acho que sim! E o deixo, a quem interessar possa, porque não quero ver o Acre parecido com São Paulo, ou com o Paraná, ou com o Mato Grosso. Quero ver o Acre prosperar e se tornar um lugar bom para se viver, mas com a cara do Acre. Com a riqueza da sua floresta explorada com parcimônia, sem destruição e partilhada por todos.

Quem duvida que isso seja possível, procure acompanhar o encontro internacional do GCF que vai acontecer em Rio Branco no período de 11 a 14 deste mês. Especialistas de 7 países (Estados Unidos, Brasil, Indonésia, México, Nigéria, Peru e Espanha) vão apresentar estratégias e propor negociações que garantam pagamento a quem não desmata e, portanto, não lança dióxido de carbono na atmosfera gerando o efeito estufa. Quem age assim, presta um serviço ambiental: preserva a Natureza, salva o Planeta  e, claro,  precisa ser bem pago.



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Deus nos acuda!

* Elson Martins

As alagações não são novidades  na Amazônia. E no Acre temos notícia de que no passado aconteceram algumas maiores que as que se vê nos invernos da atualidade. Uma vez eu entrevistei um idoso de Tarauacá, no vale do Juruá, e ele contou que seus avós falavam de um dilúvio que invadiu a floresta assustando até os macacos. Estes, coitados, são sempre lembrados nas tragédias que viram piada. No tempo da malária braba, se dizia que eles trocavam um cacho de banana por um comprimido de Aralem na fronteira com a Bolívia. Imagino que nas inundações preferem sacos encauchados.  

O problema é que hoje tem mais gente a ser acudida nas áreas urbanas e isso agita os segmentos políticos, a mídia e, claro, as famílias socialmente desarrumadas que moram nos bairros atingidos. Tanto que já contamos com alguns “bruxos” fazendo previsões e manchetes que ignoram os macacos. Um deles é o doutor professor da Universidade Federal do Acre (UFAC), David Friale, especialista em climas que acerta nas previsões de chuvas, temporais e friagens.

Mais recentemente um outro professor, o Reginâmio Bonifácio de Lima, licenciado em história e doutor em Teologia apareceu com previsões nem tanto científicas quanto as do Friale, mas que em 2008, contrariando as previsões oficiais, alertou que as águas subiriam muito em 2009 e acertou: 1.500 famílias tiveram que abandonar suas casas naquele ano.

Da mesma forma, contrariando as expectativas, ele descartou alagação em 2013, mas advertiu que em 2014 o aguaceiro poderia atingir 60% da capital.
Reginâmio, 32 anos, acreano de Rio Branco, é especialista em Cultura, Natureza e Movimentos Sociais na Amazônia e atua como pesquisador e policial  na diretoria de Ensino da Polícia Militar do Acre. Também lidera o “Grupo de Pesquisa Sobre Terras e Gentes: Amazônia em Foco, que publica livros na área de história e estudos culturais, entre os quais “Memórias de Velhos”.

Rio Madeira, foto de Sérgio Vale
 Ele encabeça um grupo de estudiosos  que inclui a esposa, Maria Iracilda, os irmãos Pedro e Regineison e a especialista em história e cultura Lelcia Maria Monteiro de Almeida. Reginâmio recorre a estudos feitos pelo professor Antônio Monteiro, da Universidade de São Paulo (USP), que permite previsões bastante confiáveis; à Prefeitura de Rio Branco que disponibiliza mapas obtidos por satélite; ao Ministério de Ciência e Tecnologia e ao Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) que também fornecem pistas.

Nas suas fontes “confiáveis” estão os velhinhos da floresta. Essa turma tem entre 90 ou cem anos de idade e sabe coisas “do Acre da velha” que beiram a precisão. Eles sabem que quando as formigas ficam agitadas na floresta é sinal de muita água. E que os jabutis tratam com antecedência de subir os barrancos mais altos quando o inverno vem com força. Os mais sofisticados se guiam pelas safras de manga e outros frutos: se são grandes num ano, tem alagação no outro.

As previsões para 2014, entretanto, oferecem elementos novos que, certamente, as formigas e os jabutis desconhecem. A Organização das Nações Unidas divulgou ano passado que o aquecimento global até o final do século 21 será “provavelmente superior” a 2 graus, superando o limite considerado seguro pelos especialistas. E que até 2100 o nível do mar deve aumentar perigosamente de 45 a 82 centímetros; e o gelo do Ártico poderá diminuir até 94% durante o verão local. Isso pode significar que também o gelo dos Andes derreta em nossa proximidade, gerando enchentes capazes de encobrir cidades amazônicas como Manaus, Belém e Macapá, para citar somente capitais.

Mas isso são previsões remotas, ainda, e quem sou eu pra me arvorar a “bruxo” e sair assustando as pessoas! De qualquer modo, é novidade que fortes chuvas nas cabeceiras do Rio Madre de Dios, no Peru,  estejam influindo na alagação do Rio Madeira em Rondônia. Tanto que a BR-364 foi interrompida e o Acre permanece sem contato terrestre com o mundo, sem gasolina etc.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A Amazônia precisa de cientistas


Ao abrir, na manhã de segunda-feira (18) em Rio Branco, Acre, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, o cientista Ennio Candotti, presidente de Honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) criticou e ironizou o Ministério de Ciência e Tecnologia, o CNPq e outros órgãos responsáveis pelo desenvolvimento científico e tecnológico da Amazônia. Ele disse que “ não haverá paz nem sustentabilidade enquanto não se questionar os modos atuais de intervenção na natureza”.

Ao responder à pergunta da platéia - constituída, principalmente, de estudantes de níveis médio e universitário, - sobre o que fazer se os órgãos de ciência continuam com olhar torto para a Amazônia, Candotti, que é biólogo e atualmente comanda experiência de vanguarda no Museu da Amazônia (MUSA), de Manaus, respondeu com ironia: “ Talvez tenhamos que pressionar com tanques de guerra”!

O cientista declarou ser imprescindível que planejadores e pesquisadores aprendam a conciliar o conhecimento científico com o conhecimento dos que vivem na floresta; do contrário, os programas de desenvolvimento regional com o rótulo da sustentabilidade se limitarão a retirar da região, de forma sempre predadora, apenas o que já é conhecido dos mercados.

Ennio Candotti recomendou aos jovens que sejam curiosos e não aceitem qualquer proposta de desenvolvimento para a Amazônia. Ilustrou sua preocupação informando que em Coari, no Estado Amazonas, a Petrobrás explora petróleo, mas a 10 quilômetros de lá tem uma aldeia indígena que vive na extrema miséria. “ A ciência - enfatizou, - não fará sentido se não ajudar acabar com a miséria humana”.

Os futuros cientistas, segundo Ennio Candotti, deverão aprender a conversar com as formigas e as onças se quiserem entender de verdade a Amazônia. As formigas, explicou, não têm celular nem GPS, mas se comunicam em rede e se juntam com incrível rapidez para carregar migalhas de pão deixadas sobre uma mesa. Esta é uma ciência que os que vivem na floresta parecem mais próximos de entender, embora enfrentando discriminação e ceticismo dos acadêmicos.

A índia Taiza, de 12 anos, do grupo indígena a Saterê Awé, sofreu constrangimento numa escola amazonense de não-índios por declarar numa redação que gostaria de ser “ farinheira” . Os professores e alunos riram e debocharam dela que, entretanto, tinha argumento forte: queria aprender a fazer farinha para não deixar que os membros de sua tribo viessem a passar fome. “ Saber fazer” , inclusive farinha é muito importante, disse o cientista, e ser “ farinheira” de profissão também.

A riqueza gerada na Amazônia pode ser enorme e socialmente justa, desde que a região não seja explorada como depósito de coisas conhecidas dos mercados. Que não tenha que vender preferencialmente petróleo, madeira (mesmo certificada) ou Carbono (porque está na moda). “ Não é possível que uma floresta que tem uma diversificada e rica microbiologia não tenha produtos mais interessantes a oferecer” – disse Candotti, exemplificando: “ Só o veneno de uma aranha vale mais que todo as árvores existentes em 1 hectare da floresta” . Os óleos e as informações que estão la no meio da floresta valem milhões de dólares.

Entretanto, a regiâo precisa contar com pesquisa científica e com tecnologia. O ideal, segundo Candotti, é que 300 a 400 mil cientistas pudessem estar pesquisando cada quilômetro quadrado da região, na atualidade. “ E as instituições de pesquisa, bem como os órgãos de planejamento não podem continuar subestimando o conhecimento dos que vivem na floresta”.